O talismã e as imagens das estrelas - Frances Yates

"O talismã é um objeto sobre o qual se imprime uma imagem supostamente tornada mágica, ou que tem poder mágico, por ter sido feita de acordo com certas regras mágicas. Normalmente - embora isso não ocorra sempre - , as imagens de talismãs são imagens das estrelas, por exemplo, uma imagem de Vênus como deusa do planeta Vênus, ou uma imagem de Apolo como deus do planeta Sol. O Picatrix, manual de magia talismânica muito conhecido no Renascimento, descreve os procedimentos pelos quais as imagens talismânicas supostamente se tornavam mágicas, ao serem infundidas com o spiritus astral. O livro hermético que servia de base teórica para a magia talismanica era o Ascepius, no qual é descrita a religião mágica dos egípcios. De acordo com o autor dessa obra, os egípcios sabiam como infundir as estátuas de seus deuses com poderes cósmicos e mágicos. Ao recorrerem a rezas, encantamentos e outros processos, eles davam vida a essas estátuas; em outras palavras, os egípcios sabiam como "fabricar deuses". Segundo o Asclepius, os processos que os egípcios usavam para transformar suas estátuas em deuses são similares aos da feitura de um talismã."


YATES, Frances. A arte da memoria.
Cap. 6, pp 199: A Memória no Renascimento: O Teatro da Memória de Giulio Camillo.

"As imagens das estrelas são intermediárias entre as ideias do mundo sobreceleste e do mundo subceleste dos elementos. Ao manipular ou utilizar as imagens das estrelas, manipulam-se formas que estão mais próximas da realidade do que os objetos do mundo inferior, que dependem, todos, das influencias estelares. Pode-se atuar no mundo inferior, podem-se alterar as influencias estelares sobre ele, caso se saiba como ordenar e manipular as imagens das estrelas. De fato, as imagens estelares são as "sombras das idéias", sombras da realidade que estão dela mais próximas do que as sombras físicas do mundo inferior."

Idem, Cap. 9, pp 273: Giordano Bruno: o Segredo de Sombras.

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