Imagem metafórica e imagem metonímica - Fausto Colombo

"Observemos antes de mais nada que duas parecem ser as dinâmicas da imagem pré-industrial: à primeira chamaremos de aspecto metafórico, à segunda, de aspecto metonímico.
O aspecto metafórico da imagem (o que por longos anos alimentou a questão do iconismo) consiste no seu caráter de signo analógico, isto é, ligado ao seu objeto por uma semelhança qualquer. (...)
O aspecto da imagem que chamamos de metonímico, deve ser procurado alhures, nas concepões animísticas ou mágicas que desde sempre permeiam as culturas orientais, e com as quais o Ocidente amiúde entrou em contato através de intrincados percursos históricos; (...) Essas concepções consideram a imagem conexa ao objeto representado, mediante uma relação de compenetração, graças à qual lhes é possível, com o apoio no signo, atuarem sobre o objeto denotado. Observa Morin que o tema da compenetração entre humano e natural, entre micro e macrocosmo, compõe a base de todo saber mágico, e constitui o verdadeiro mito de toda prática teúrgica (cf. Morin, 1970): essa posição parece amplamente confirmada pelos tratados do gênero que exerceram grande nfluência nos nossos predecessores renascentistas."

COLOMBO, Fausto. Os arquivos imperfeitos: memória social e cultura eletrônica. São Paulo: Perspectiva, 1991. Cap. 2: A imagem e o amuleto, p. 44-6.

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