Inventio, invenção, inventário - Mary Carruthers

"A palavra latina inventio originou duas palavras distintas no inglês moderno. Uma delas é 'invention' [invenção], significando a 'criação de algo novo' (ou pelo menos diferente). Tais criações podem ser ideias ou objetos materiais, incluindo, naturalmente, trabalhos de arte, música e literatura. Também dizemos que as pessoas têm 'mentes inventivas', com o que queremos dizer que elas têm muitas ideias 'criativas' e são, em geral, boas em 'construir', para usar o sinônimo no inglês médio do que hoje denominamos 'composição'.
A outra palavra do inglês moderno derivada do latim inventio é 'inventory' [inventário]. Ela se refere ao armazenamento de muitos materiais diferentes, mas não a um armazenamento aleatório; roupas jogadas no fundo de um armário não podem ser chamadas de 'inventariadas'. Um inventário deve ter uma ordem. Os materiais inventariados são contados e dispostos em locais dentro de uma estrutura global que permite que qualquer item seja recuperado de maneira fácil e rápida. Esta última exigência também exclui coleções que sejam demasiadamente desajeitadas ou genéricas para serem úteis; para entender o porquê, basta pensarmos em por que é tão desanimador localizar o próprio carro em um estacionamento vasto.
Inventio comporta os sentidos dessas duas palavras, e essa observação aponta para uma suposição fundamental sobre a natureza da 'criatividade' na cultura clássia. Ter um 'inventário' é uma condição para a 'invenção'. Tal afirmação pressupõe não apenas que não se pode criar ('inventar') sem um depósito de memória ('inventário') a partir do qual e com o qual inventar, mas também que tal depósito de memória está efetivamente 'inventariado', que seus materiais se encontram em 'locais' prontamente recuperáveis. Algum tipo de estrutura locacional é de fato um pré-requisito para qualquer pensamento inventivo."

CARRUTHERS, Mary. A técnica do pensamento: meditação, retórica e a construção de imagens (400-1200). Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011. P. 36-7.

conjunto discreto - sobre figura e ação em desenho

discrete ensemble
on figuration and action in drawing
































de 3 a 13 de abril de 2012
segunda a sexta, das 9 às 17 hs
defesa de dissertação de mestrado em artes dia 11 de abril, às 14hs
orientadora: profa. dra. luise weiss

galeria do instituto de artes da unicamp
rua sérgio buarque de holanda, s/ n°
prédio da biblioteca central, térreo
campinas sp
tel.: (19) 3521 7453
galeria@iar.unicamp.br

Rito #4: subtração de quartos no festival de apartamento

Rito #4 parte das dimensões de um quarto, elemento da coleção de medições. Pelo deslocamento de seixos no chão, espaço representado e real se subtraem, formando um novo lugar de onde desenho uma estrutura germinante, imagem recorrente em minha produção.
1. No chão de um cômodo da casa, desenho um retângulo de 15m2, correspondente à área do quarto que ocupei de 1994 a 1996. O retângulo é formado por seixos que vou empurrando com os pés e mãos;

2. Partindo do centro da forma de seixos recém-construída, empurro os seixos em direção às paredes do cômodo do apartamento, deslocando a superfície inicial e abrindo um espaço central e uma passagem de acesso à porta do cômodo. A área liberada equivale à diferença entre o cômodo do apartamento e o quarto que ali foi representado;

3. Sentada no espaço central, desenho sobre papel uma estrutura germinante que disponho no chão ao sair da sala.

estrutura germinante (Rito #4)




Rito #4 : Subtração de quartos no festival de apartamento

























imagens: Estela Miazzi e Thaíse Nardim.